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uma vez, na augusta, um daqueles chatos de galocha tentou me vender um livrinho de poesia. eu não gosto de poesia. quer dizer, gosto de pouquíssim@s poetas, mas eu francamente não tenho vontade de aumentar a lista de poetas querid@s, então me mantenho afastada mesmo, desse mundo maravilhoso e blá. enfim. o lance é que eu respondi educadamente – ah, obrigada, não gosto de poesia. pra ver se o vendedor ia tentar em outra freguesia mesmo, do tipo, go away, não perca seu tempo comigo. foi quando ele respondeu – não gosta de poesia? isso passa.

 

ah, mas vocês não imaginam como eu fiquei SANGUE NO ZÓIO. como assim isso passa?, é doença isso? fase? não gostar dessa porcaria rimada que você escreve com o pé esquerdo, impressa em papel de pão? mas francamente.

 

é claro que eu não fiz nada. foi mais uma daquelas reações tardias que eu costumo ter mesmo. fiquei oi? quando ele respondeu, a raiva eu só senti depois, quando já tinha ido embora. isso passa, mas que grande putamerda.

 

(diz pra mim, um troço tão complexo, como pode se dizer que GOSTA DE POESIA. significa o q isso? que gosta de poesia em geral? é tipo música, não é? gostar assim. quer dizer, não dá pra dizer eu gosto de música prum cantor sertanejo sem que ele interprete que você gosta da música DELE. se vem um cantor sertanejo perguntar eu respondo naturalmente – não, eu não gosto de música. a menos que eu tenho TEMPO e alguma VONTADE de estabelecer um diálogo – eu gosto de música x e y, mas não gosto da sua. mas é o tipo de coisa que eu não faço mesmo, estabelecer diálogo. tenho horror. então eu me recuso mesmo, a dizer que gosto de poesia pra qualquer um. pra evitar que alguém abra o caderno pra me mostrar umas coisas aí que andou escrevendo. MEDO que eu tenho dessas coisas.)

 

eu vi a cristiane torloni esse dias na novela fazendo uma personagem perua. em algum momento alguém oferecia um biscoitinho ou coisa assim e ela dizia – ah não, não posso, fecha a minha glote. e respondeu isso pro biscoitinho, pro suco, pro pãozinho e pro que mais ofereceram a ela. aí alguém (ou ela mesma, não lembro) explicou, que pra evitar que alguém pergunte se ela está de regime, ou insista pra que ela coma, acaba respondendo isso aí, que fecha a glote.

 

então tou adotando à partir de agora. poesia? ah não, obrigada, fecha a minha glote.

 

 

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