Arquivo do dia: 1 de novembro de 2007

não preciso falar de dinâmicas de grupo. que é coisa do diabo, qualquer ser humano NORMAL, sabe. óquêi. mas a gente tem que passar por isso. faz parte. e por enquanto continuo na tortura de ser avaliadora. detesto. mesmo. acho desnecessário e humilhante. do diabo, como eu disse. mas sou obrigada. então vou lá, avalio, dou nota e decido. o futuro daquelas pessoas enquanto gente que quer crescer profissionalmente.

e a gente sempre pode contar com aquelas pessoas que tornam o espetáculo ainda mais angustiante. aquelas que se jogam de cabeça. que acham que a empresa, eu no caso, está atrás de gente sem vergonha de ser feliz. se abre. esperneia. fala o script todinho. tim tim por tim tim. olha pra mim com olhar de regina duarte, com a cabeça pendendo pra direita, pendendo pra esquerda. uma meiguice sem fim.

que eu detesto/desprezo/reprovo.

dessa vez eu consegui me divertir. pelo menos. fiquei de olho nas duas figuras à minha direita. um é pai de santo. o outro é da macumba porrêta galinha preta virada do avesso.

aí a moça do rh que me acompanha deu as instruções: pegar uma das revistas velhas e bolorentas, escolher umas figuras que representassem blablabla whyskas sache e se apresentasse explicando.

passados alguns minutos, o pai de santo acaba. sem ter levantado pra pegar revista. sem ter usado a cola. ou a tesoura. ou qualquer coisa além do lápis e do papel. na hora de apresentar ele mostra o que desenhou. ignorou que a proposta era outra. deve ter seguido instruções de outra pessoa. se é que você me entende. e mostra. os desenhos.

se eu tivesse uma cópia, colocava aqui, porque é difícil descrever.

à direita uma árvore. com raízes GIGANTESCAS, sem folhas. o tronco e os galhos. representando o passado. a-ma-du-re-ci-men-to. fiquei intrigada com aquele buraco preto no meio do tronco. pretão. de quem descarrega a raiva através do grafite. mas não perguntei. achei melhor deixar a coisa rolar.

no centro, um olho GIGANTE com listrinhas mil embaixo. sting style. montes delas. representando o presente (hein? oi?). o momento em que ele observa mais do que participa. falou tá falado.

à esquerda, uma escada. toda torta, diga-se. com um raio no último degrau. um raio, entende? representando a ascenção.

avaliação final. se aquilo ali não é uma oferenda ao preto véio. eu não entendo MESMO as pessoas. porque era tudo, menos o que a moça do rh pediu. mensagem subliminar de c* é rôl* hein.

já o macumbeiro se comportou bem durante os testes. não deu nas caras como o outro. aí acabou e o pessoal foi sainda da sala. ele por último. queria dar uma palavrinha comigo.

veio até mim, pegou na minha mão e agradeceu a o-opr-tu-ni-da-de, me abraçando. de repente, tuc, na minha cabeça. juro que eu senti. e nem tenho certeza do que aconteceu, mas eu tenho a leve impressão de que alguém me surrupiou uns fios de cabelo. nacaralarga.

e agora tou aqui, com uns fios a menos, esperando aparecer um sapo com a boca costurada debaixo da minha mesa.

***

ainda bem que eu conheço aquele ditado. que explica e elimina qualquer temor.

se macumba funcionasse, campeonato baiano terminava empatado. né.

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